Poesias de 1 a 99

Poema #15: Um Soneto da Lua

Ainda que sejam versos pequenos…
Uns simples versos que sejam ao menos,
os ventos os empurrarão no tempo
onde serão o eterno consentimento.

Toda a lua brilha alta e resplandece
porque deseja muito o amor do mar.
Acaricia um instante e depois reflete:
é a busca de nunca encontrar.

Como um solitário que ri na estrada
é toda ela amor…uma imagem vaga,
tempero de emoções, fogo que estala.

Sendo certo o errado e não sendo
a peleja da busca, o contratempo,
ainda que seja um verso pequeno.

Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.

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